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  • Elisabete Castelon

Dislexia: o que todos precisam saber

O termo dislexia foi empregado por Rudolf Berlin em 1887 para caracterizar crianças com dificuldades de leitura e escrita. A dislexia é definida como uma dificuldade além da esperada para aprender a processar a linguagem escrita, apesar de uma inteligência adequada e ausência de déficit sensorial. Entretanto, a necessidade de exclusão de déficit intelectual vem sendo contestada e cedendo lugar para a ideia de que a dislexia pode também acontecer em crianças com prejuízo intelectual.

Como ocorre a alfabetização?

O nosso alfabeto é fonêmico, ou seja, os símbolos gráficos não remetem a significados, mas a unidades sonoras. Por isso, a aquisição da leitura e da escrita nesse alfabeto exige que a criança tenha uma clareza sobre as diferenças entre os sons, mesmo as diferenças mais sutis, como entre m e n, p e b, t e d, c e g.  Uma vez tendo o “ouvido consciente” , ela então deve aprender as correspondências entre as letras (grafemas) e os sons (fonemas).


IDEOGRAMA: é um tipo de escrita antiga e que existe ainda hoje. Os hieróglifos egípcios, os kanji do japonês e chinês são exemplos desse tipo de escrita. A leitura não exige correlacionar o símbolo visual ao seu som correspondente (correlação grafo-fonêmica). Acima hieróglifos.


IDEOGRAMA: é um tipo de escrita antiga e que existe ainda hoje. A leitura não exige correlacionar o símbolo visual ao seu som correspondente (correlação grafo-fonêmica).Os hieróglifos egípcios, os kanji do japonês e chinês são exemplos desse tipo de escrita. Acima, símbolos chineses.


Alfabeto japonês como exemplo de alfabeto fonêmico: aqui os símbolos visuais não têm nenhum significado e não correspondem a nenhum objeto. eles correspondem aos sons da língua falada. Para ler e escrever, a criança precisa aprender correlação entre os sons e as letras (correlação grafo-fonêmca).



Alfabeto grego como exemplo de alfabeto fonêmico: aqui os símbolos visuais não têm nenhum significado e não correspondem a nenhum objeto. eles correspondem aos sons da língua falada. Para ler e escrever, a criança precisa aprender correlação entre os sons e as letras (correlação grafo-fonêmca).



Alfabeto romano como exemplo de alfabeto fonêmico: aqui os símbolos visuais não têm nenhum significado e não correspondem a nenhum objeto. eles correspondem aos sons da língua falada. Para ler e escrever, a criança precisa aprender correlação entre os sons e as letras (correlação grafo-fonêmica).


Ler significa interpretar símbolos gráficos. Ao contrário da linguagem verbal, a leitura não é um processo natural. As crianças não aprender a ler automaticamente, necessitando ser ensinadas.

Várias áreas precisam ser ativadas para que a leitura possa ocorrer:

Direcionamento da atenção (atenção seletiva) com ativação do córtex pré-frontalPercepção visual dos símbolos gráficos com ativação do córtex visual primário.Transmissão do sinal para o giro angular, onde o sinal gráfico (as letras) é traduzido/decodificado em seus sons correspondentestransmissão do sinal para a área de Wernicke, onde o som é reconhecido no seu significado (reconhecimento semântico)



Para aprender a ler uma criança necessita primeiramente perceber que as palavras são compostas por unidades sonoras chamadas FONEMAS, o que normalmente ocorre entre os 4 e os 6 anos de idade. A criança precisa conseguir reconhecer pela audição essas diferentes partículas que formam a palavra falada. Assim, a leitura exige que se entenda o princípio no qual se baseia o nosso alfabeto: “as letras nada mais são que a representação gráfica dos sons.”

Há evidências de que o padrão de ativação cerebral nos disléxicos é diferente do normal, havendo menor ativação do giro angular.

Na maioria dos casos, as crianças mostram não apenas dificuldades com a escrita, mas também desenvolvem uma repulsa à leitura, por ser esta muito difícil. No decorrer dos anos a dislexia acaba diminuindo o rendimento escolar em diversas matérias.

O diagnóstico geralmente é feito no período do ensino primário , existindo para isto testes psicológicos/fonoaudiológicos especiais, todavia, o tratamento não deve esperar o diagnóstico de certeza e sim já ser iniciado na suspeita do problema. Com isso, a criança receberá a ajuda de que necessita para superar as suas dificuldades precocemente e terá melhores chances de boa recuperação, ou compensação.

Sintomas que, quando persistentes e combinados, podem levar à suspeita de dislexia  são:

LEITURA:

·         Muitos erros na leitura em voz alta

·         Leitura de letras, sílabas ou palavras é muito custosa

·         A criança se corrige freqüentemente

·         O texto lido não é compreendido

ESCRITA:

·         Resistência e aversão à leitura

·         Evita a leitura

·         Muitos erros quando copia um texto

·         Muitos erros quando escreve livremente

·         Troca letras visualmente semelhantes (b/d )

·         Troca letras foneticamente semelhantes (m/n; t/d )

·         Deixa de escrever partes de palavras

·         Inverte a ordem das letras nas palavras

·         Textos ilegíveis

·          postura contraída, com excesso de tensão muscular ao escrever

·         dificuldade em respeitar as margens ao escrever

COMPORTAMENTO

·         Medo de ir à escola

·         Baixa auto-estima

·         Enurese (perda do controle da bexiga )

·         agressividade

·         pouca motivação

·         dificuldade de concentração

·         comportamento de chamar a atenção ( “engraçadinho”)

·         hiperatividade

·         queixas psicossomáticas (dor de barriga, ânsia de vômito, etc)






TÓPICOS DE DESTAQUE:

A dislexia é frequente, afetando 5% a 20% das crianças escolares.

A dislexia não é causada por uma lesão cerebral.

A dislexia é um transtorno permanente por toda a vida. Ele pode ser tratado, mas não curado. O disléxico pode conseguir compensar bem as suas dificuldades através de estratégias aprendidas.



Uma criança disléxica pode ser extremamente inteligente e próspera. Assim, Albert Einstein, Tom Cruise e a cantora Cher são exemplos de disléxicos.


Disléxicos podem ter um talento especial para atividades associadas ao processamento visual.


Disléxicos podem ter um talento especial para atividades associadas ao processamento visual.

Os disléxicos muitas vezes referem cansaço, porque a leitura lhes é muito mais desgastante que para os outros. Freqüentemente as escolas permitem a estes alunos maior tempo para avaliações e trabalhos.

A dislexia pode acometer vários membros de uma mesma família. Este fato é sugestivo de um componente genético na origem do transtorno.

O quadro é bastante variável, apresentando diferentes níveis de gravidade

A terapia não é medicamentosa e sim fonoaudiológica e psicopedagógica, treinando a criança em estratégias de correção e compensação. Os pais e os professores precisam  estar bem informados e participar deste processo.

Inicie a terapia o quanto antes. Não se deve esperar por um atraso de dois anos no desempenho de alfabetização. Mesmo antes da certeza do diagnostico, a criança que apresenta dificuldades deve receber ajuda precocemente.

A terapia visa também aumentar a autoestima e autoconfiança da criança, visando enfocar as suas qualidades e talentos, assim como aumentar a sua motivação. Deve ser, de início, individual e depois, eventualmente, em grupo.


Pesquisas indicam que o treinamento precoce da conscientização fonológica pode melhorar o quadro. Esta forma de treinamento lingüístico enfoca a estrutura sonora das palavras. Atualmente existem programas de computador propícios para ajudar a criança a desmembrar as palavras nos seus fonemas. A terapia é realizada por um fonoaudiólogo, que deve trabalhar em equipe com os profissionais da educação, de forma que todos se harmonizem e treinem a criança através do mesmo método.

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