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  • Elisabete Castelon

Você tem TOC?



Todo mundo tem lá as suas manias, mas poucos têm o transtorno obsessivo-compulsivo, mais conhecido como TOC. De fato, o TOC se define pela intensidade e pelo sofrimento dos pensamentos (obsessões) ou dos atos e rituais repetitivos (compulsões), assim como pela percepção da sua estranheza e inadequação pela própria vítima. Assim, não se trata de uma pessoa ordeira, controladora e organizada, alguém que confere todos os detalhes e que é perfeccionista. Trata-se, pelo contrário, da situação de ser constantemente torturado por pensamentos repetitivos e pela obrigação de cumprir rituais demorados e sem sentido que impedem a pessoa de se concentrar nos seus deveres e interesses, de relaxar, de interagir socialmente e de realizar suas atividades cotidianas.

A pessoa pode ser atormentada por pensamentos de dúvida como: “Será que eu contei toda a verdade, ou omiti detalhes?”, que a fazem recontar os mesmos fatos inúmeras vezes, ainda que plenamente ciente da falta de bom senso deste comportamento. Outros pensamentos obsessivos comumente relatados são: “Se eu pisar fora da linha da calçada, algo ruim vai acontecer”; “tudo que eu juntar precisa terminar em número par”; “posso me contaminar se não lavar meu corpo tantas e tantas vezes, nessa e naquela direção, com este determinado sabonete, etc”; “Cometi algum ato, ou pensamento que ofendeu a Deus?”.

As compulsões podem ser de contagem, limpeza, ordenação, conferência, dentre outros. O TOC é acompanhado de muito sofrimento e frequentemente se torna incapacitante. Uma paciente me contou que tinha a necessidade de tocar de volta qualquer pessoa que nela esbarrasse, o que causava um comportamento estranho no trabalho que culminou coma sua demissão. Além disso, no caminho para a casa, o sinal vermelho a obrigava a dar 5 voltas pelo quarteirão em que estivesse, os quebra-molas tinham que ser transpostos 3 vezes. Esses e outros rituais fazima com que um trajeto de 5 km levasse uma hora para ser percorrido.

Para o diagnóstico preciso é importante que o psiquiatra investigue atentamente a vivência do paciente. Assim, relatos de fantasias repetidas de atos sexuais com crianças, de atos agressivos, de experiências homossexuais podem ser interpretadas como revelações de desejos reprimidos. Entretanto, no TOC, estes pensamentos são vividos pelo paciente como intrusivos, estranhos e desagradáveis. As fantasias sexuais não se acompanham de excitação, mas de repulsa. As fantasias agressivas estão fora de um contexto de raiva, ou mágoa. Este desencontro entre pensamento e emoção é desesperador.

O TOC tem tratamento, podendo ser bem controlado, ou até mesmo remitir por completo. Na maioria das vezes, a terapia medicamentosa é fundamental. A psicoterapia ajuda grandemente a entender e a lidar com o problema. Alem disso, o TOC muitas vezes se acompanha de outros transtornos como depressão, ansiedade generalizada e abuso de substâncias.

Diante do exposto, relaxe! Sua mania de limpeza e de organização é um traço da sua personalidade que, em boa medida, pode ser até muito bom. Todavia, caso você se sinta escravizado por pensamentos e rituais absurdos, não espere! Procure ajuda.

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